Chegada das Aves!

Chegada das Aves!

? Onde estão os meus cadernos?

Procuro-os dispersos, na dispersão dos muitos "quereres" soltos, sobrepostos, inquietos ... Ser poético! Poema vivo!

Tentativas de palavras que tragam à superfície o "eu", os "eus", nocturnos, submersos, que me habitam!

As teias que procuro tecer ... encontram e desencontram-se dos fios frágies, luminosos, que se enrolam, fogem, ou simplesmente efémeros deixaram de existir ...

Habito para além do corpo, do meu corpo, um tempo arquétipo povoado de seres mágicos, poéticos, que abraçam as pedras e as transportam sem descanço, até ao alto da montanha, onde rezam, choram, amam até à combustão do corpo ... e à chegada das aves!!

terça-feira, 27 de julho de 2010

"Histórias improváveis"

O encontro de
Um garfo e um girassol
Um cotão e um anel de noivado
Um cão rafeiro e um chapéu de plumas
Um livro e uma agulha de passajar
Um cajado e o pé da mesinha de cabeceira
Uma tigela e um rádio abandonado
Um carrinho de mão e uma nuvem

...

segunda-feira, 26 de julho de 2010




Os "olhos do homem" que se metamorfoseou no animal, que acossado na sua frágil condição de humano, arreganha os dentes e eriça o pelo!
A "vítima " surpresa reage com cuidados, tentando repôr o equilíbrio orgânico da fera, forçando o apaziguamento!
!? restos de um mundo de emoções repreendidas com a violência do poder e da autoridade castradora?! Ou tão só o humano exposto, frágil, encerrado na força bruta da ignorância,  do animal!

Do outro lado do mundo, ... procuram-se asas que elevem, pinceladas de azul que acrescentem o arco-irís ... anjos e demónios, com o pretexto da luz, "a eterna procura da luz"! ... a leveza quase liberta da matéria, a tranquilidade quase liberta do confronto, o confronto longínquo, remota lembrança do animal prestino ...

domingo, 23 de maio de 2010

"nesga de azul"


da noite o brilho riscado
do céu, hoje
azul, intenso azul
cresceu ... para morrer depois
contra as linhas duras
da caixa
arrumada,organizada, sólida, pregada ...
onde não cabe o desabrochar,o renovo
fora do tempo,
do lugar predefenido
o vestido desalinhado
amoda fora de moda
do tempo inventado,
moldado
pelo sangue do poeta
...
a vida!
ficou lá
agarrada à estereotomia da calçada

sexta-feira, 21 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

" Sopa de gostos"


Gosto ... de musica de acordéon e também por isso do "R.Galliano"
... da terra, dos campos e do luar a cheirar a trovoadas
... de cantar e de dançar ...
... do sentido de economia (remendinhos, fundilhos, talegas e colchas de trapos,...)
Gosto ... de velhos ... e de vanguardistas ... de poetas ... e de filósofos
... da psicologia da "alma" humana
... das coisas da vida ... procuro-as, no vento que ondula as searas!
Gosto ... de poesia, muito!
Gosto das Vozes, ... do "Cante" do Alentejo
... da música do Pascal Comelade
Gosto de queijo de ovelha e de cabra
Gosto de pão e de mel
Gosto de representar... gosto de teatro
Gosto de gente que procura a eternidade,
... Nas pedras do caminho ...
... Nas emoções à solta
... Nos gestos repetitidos ... no desconhecido
... Nos objectos rejeitados ... nos espaços com história
... Na fecundidade da terra ...
Gosto da teatralidade, do barroco, do grotesco dos seres humanos, no Fellini
Gosto do cinema do Manoel de Oliveira ... de como nos impõe o essencial através da demora do gesto, do tempo que nos detém no pormenor ...
Gosto do modo como o tempo interior se impõe ao tempo pragmático
Gosto do arcaismo da nossa cultura
Gosto de sopa de beldroegas, de calduchos e de gaspacho
... que são as sopas da minha Terra ...

domingo, 9 de maio de 2010

"Inconstância"
















escorria luz e silêncio, pelas veredas da tarde quieta ...

a lua caiu devagar, no campo de centeio
...
é preciso colocar, já, os talheres sobre a mesa!
...
hoje transformei emoções
                   em mil (s) quadradinhos coloridos
a vidraça tinha vidros quadrados
                  em múltiplos tons de azul
eu ... fiquei dentro ... e fiquei fora!